Ainda não chegamos, sequer, às semi-finais da taça Guanabara e as reclamações dos clubes em relação às arbitragens já ganham destaque. A situação se complicou no último domingo, após o clássico Vasco da Gama X Fluminense, realizado no Engenhão. A diretoria do fluminense quer,de qualquer maneira, a cabeça, ou melhor, a demissão do diretor de arbitragem de FERJ, Sr Jorge Rabello, jogando toda a responsabilidade da derrota tricolor em cima do árbitro Antônio Frederico Schneider. Concordo que vários erros de interpretação ocorreram durante a partida. Tanto na parte técnica, quanto na parte disciplinar. E quando as imagens mostram claramente, não há o que discutir. O diretor de arbitragem, supracitado, teve coragem ao inovar. Procurou preparar os árbitros de forma correta, com pré temporada, palestras, treinamentos, transporte, assistência durante as partidas, entre outras melhorías. Foi ousado ao utilizar ( mesmo sem autorização ) os árbitros atrás das metas, na tentativa de minimizar os erros e as possibilidades de gols duvidosos. Tudo isto deve ser exaltado. Entretanto, existe uma distância entre teoria e prática. Não conseguí entender por que não houve interferência positiva destes assistentes ( atrás das metas ) para corrigir alguns equívocos do árbitro no último domingo. Será que foram impostos limites às suas atuações? Só eles ( árbitros e dirigentes ) podem responder. Não sou pago para defender ninguém. Mas na qualidade de ex árbitro e comentarista de arbitragem, procuro analisar a questão de uma forma diferente de jogadores, dirigentes e torcedores. O árbitro é um ser humano passível de erros e acertos. Tem frações de segundos para decidir um lance. Suas decisões, dificilmente, irão agradar à todos. Só que é preciso mostrar, também, que dirigentes, treinadores e jogadores também erram. E muito. Os dirigentes, os jogadores e os técnicos se acham no direito de falar o que quiserem. Acham que o árbitro não tem família. Que podem usar quaisquer adjetivos para classificá-lo que não há problema algum. Porém, se o árbitro agir da mesma forma, será processado, querem que seja afastado do esporte, preso e, se possível, cricificado em praça pública. Talvez o problema esteja no bolso. O futebol, hoje, é totalmente comercial. Os clubes são escravos de patrocinadores, emissoras de TV, empresários, etc.. Um resultado negativo, pode gerar um prejuízo enorme aos cofres do clube e, provavelmeste, aos bolsos de muita gente. Só que ninguém tem coragem de falar desta forma. Então é muito mais fácil colocar a culpa em alguém. E muito mais fácil, ainda, que este alguém seja o árbitro. Não podemos dizer que os erros não aconteceram. Como conhecedor das regras, tenho que admitir que o árbitro teve uma atuação infeliz. Jamais colocaria em dúvida o seu caráter e a sua honestidade, mas, infelizmente, os erros aconteceram. Faz parte do trabalho. Só não podemos admitir que aconteçam de forma intencional, premeditada. Gostaría de deixar algumas questões para que juntos possamos buscar respostas que ajudem a melhorar o nível do futebol ( em especial o carioca, já que sou do Rio de Janeiro ): QUANDO UMA EQUIPE PERDE UMA PARTIDA E RESPONSABILIZA O ÁRBITRO, ESTE DEVE TER O DIREITO DE PEDIR AO CLUBE PERDEDOR QUE DEMITA O TREINADOR QUE MEXEU MAL NA EQUIPE? DEVE PEDIR QUE RESCINDA O CONTRATO DO GOLEIRO QUE FALHOU, OU DO ATACANTE QUE PERDEU UM OU VÁRIOS GOLS? DEVE SOLICITAR A RESCISÃO DO CONTRATO DE PATROCÍNIO, QUANDO O PATROCINADOR CONTRATA UM ATLETA QUE NÃO SERVE NEM PARA A QUARTA DIVISÃO DA BÓSNIA? DEVE PEDIR AOS DIRIGENTES QUE NÃO PAGUEM FAVORES COM INGRESSOS, POR QUE ISTO AFETA A RENDA DOS JOGOS?
Já passou a hora de acordar. É preciso mudar a mentalidade de pessoas que militam no futebol. Talvez seja mais prudente cobrar de quem ganha fortunas e produz migalhas, do que escolher um cristo para crucificar depois de cada derrota. E parabéns ao dirigente que não abandonou o árbitro neste momento. Diferente do que já aconteceu comigo, quando atuava por esta mesma federação.
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